18 de setembro de 2003
13 de setembro de 2003
Filosofando
Efeito posterior da antiga religiosidade.
Todo homem irrefletido acha que somente a vontade é atuante; que querer é algo simples, puramente dado, não deduzível, em si mesmo inteligível. Está convencido de que quando faz algo, quando desfecha um golpe, por exemplo, é ele que golpeia, e que golpeou porque quis fazê-lo. Ele não nota problema algum aí, basta-lhe o sentimento da vontade, não apenas para a suposição de causa e efeito, mas também para a crença de compreender sua relação. Ele nada sabe a respeito do mecanismo do evento e do trabalho cem vezes sutil que tem de ser realizado para que se chegue ao golpe, nem da incapacidade da vontade mesma de fazer sequer uma parte mínima desse trabalho. Para ele, a vontade é uma força magicamente atuante: crer na vontade como causa de efeitos é crer em forças magicamente atuantes. Originalmente, toda vez que presenciou um evento o homem acreditou numa vontade como causa e em seres pessoais, dono de vontade, atuando no fundo - o conceito de mecânica lhe era muito distante. Mas, como por períodos enormes o homem acreditou somente em pessoas (e não em matérias, forças, coisas, etc.), a crença em causa e efeito se tornou para ele a crença fundamental, que ele aplica toda vez que algo acontece - ainda hoje, instintivamente, como um atavismo da mais remota origem. As teses de que "não há efeito sem causa", "todo efeito é novamente causa", aparecem como generalizações de teses muito mais estreitas: "Onde há atuação, houve vontade", "Só é possível atuar sobre seres donos de vontade", "Nunca se sofre puramente e sem consequência um efeito, sofrê-lo constitui sempre uma excitação da vontade" (para a ação, a defesa, a vingança, a represália) - entretanto, nos primórdios da humanidade estas e aquelas teses eram idênticas, as primeiras não eram generalizações das segundas, mas estas, elucidações das primeiras. - Ao supor que tudo existente não passa de algo querente, Schopenhauer alçou ao trono uma antiga mitologia: parece que ele nunca tentou analizar a vontade, pois acreditou na simplicidade e imediaticidade de todo querer, como fazem todos - quando o querer é um mecanismo tão bem treinado que quase escapa ao olhar observador. Em oposição a Schopenhauer ofereço as seguintes teses.
Primeira: para que surja a vontade, é necessária antes uma idéia de prazer e desprazer.
Segunda: o fato de um estímulo veemente ser sentido como prazer ou desprazer está ligado ao intelecto interpretante, que, é certo, em geral trabalha nisso de modo inconsciente para nós; e o mesmo estímulo pode ser interpretado como prazer ou desprazer.
Terceira: apenas nos seres inteligentes há prazer, desprazer e vontade; a imensa maioria dos organismos não tem nada disso.
Texto extraído do livro A Gaia Ciência de Friedrich Nietzsche.
Devidamente copiado do Smriti
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Efeito posterior da antiga religiosidade.
Todo homem irrefletido acha que somente a vontade é atuante; que querer é algo simples, puramente dado, não deduzível, em si mesmo inteligível. Está convencido de que quando faz algo, quando desfecha um golpe, por exemplo, é ele que golpeia, e que golpeou porque quis fazê-lo. Ele não nota problema algum aí, basta-lhe o sentimento da vontade, não apenas para a suposição de causa e efeito, mas também para a crença de compreender sua relação. Ele nada sabe a respeito do mecanismo do evento e do trabalho cem vezes sutil que tem de ser realizado para que se chegue ao golpe, nem da incapacidade da vontade mesma de fazer sequer uma parte mínima desse trabalho. Para ele, a vontade é uma força magicamente atuante: crer na vontade como causa de efeitos é crer em forças magicamente atuantes. Originalmente, toda vez que presenciou um evento o homem acreditou numa vontade como causa e em seres pessoais, dono de vontade, atuando no fundo - o conceito de mecânica lhe era muito distante. Mas, como por períodos enormes o homem acreditou somente em pessoas (e não em matérias, forças, coisas, etc.), a crença em causa e efeito se tornou para ele a crença fundamental, que ele aplica toda vez que algo acontece - ainda hoje, instintivamente, como um atavismo da mais remota origem. As teses de que "não há efeito sem causa", "todo efeito é novamente causa", aparecem como generalizações de teses muito mais estreitas: "Onde há atuação, houve vontade", "Só é possível atuar sobre seres donos de vontade", "Nunca se sofre puramente e sem consequência um efeito, sofrê-lo constitui sempre uma excitação da vontade" (para a ação, a defesa, a vingança, a represália) - entretanto, nos primórdios da humanidade estas e aquelas teses eram idênticas, as primeiras não eram generalizações das segundas, mas estas, elucidações das primeiras. - Ao supor que tudo existente não passa de algo querente, Schopenhauer alçou ao trono uma antiga mitologia: parece que ele nunca tentou analizar a vontade, pois acreditou na simplicidade e imediaticidade de todo querer, como fazem todos - quando o querer é um mecanismo tão bem treinado que quase escapa ao olhar observador. Em oposição a Schopenhauer ofereço as seguintes teses.
Primeira: para que surja a vontade, é necessária antes uma idéia de prazer e desprazer.
Segunda: o fato de um estímulo veemente ser sentido como prazer ou desprazer está ligado ao intelecto interpretante, que, é certo, em geral trabalha nisso de modo inconsciente para nós; e o mesmo estímulo pode ser interpretado como prazer ou desprazer.
Terceira: apenas nos seres inteligentes há prazer, desprazer e vontade; a imensa maioria dos organismos não tem nada disso.
Texto extraído do livro A Gaia Ciência de Friedrich Nietzsche.
Devidamente copiado do Smriti
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12 de setembro de 2003
8 de setembro de 2003
Se esse fosse um dia de trabalho intenso atuando, eu acharia cansativo mas prazeiroso. Como hoje foi um dia de desencontros, atrazos, descasos e desânimo ele passa a ser exaustivo e tortuoso. Alem de tudo, eu espero TANTO dos outros, um erro gravíssimo da minha parte.
Nessas horas parece que aquela concha que eu estava preso me chama pra dentro de novo.... As vezes só acho que fico do lado de fora de teimoso e porque não fui nem vou ser derrotado, mas como é penoso esse caminho...
Nessas horas parece que aquela concha que eu estava preso me chama pra dentro de novo.... As vezes só acho que fico do lado de fora de teimoso e porque não fui nem vou ser derrotado, mas como é penoso esse caminho...
6 de setembro de 2003
A HISTORIA SEM FIM
As paixões humanas são misteriosas, e as das crianças não o são menos que as dos adultos. As pessoas que as experimentam não as sabem explicar, e as que nunca as viveram não as podem compreender. Há pessoas que arriscam a vida para atingir o cume de uma montanha. Outras arruínam-se para conquistar o coração de uma determinada pessoa que nem quer saber delas. Outras, ainda destroem-se a si mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa – ou da garrafa.. Outras há que arriscam tudo o que possuem num jogo de azar, ou sacrificam tudo a uma idéia fixa que nunca se pode realizar. Algumas pensam que só podem ser felizes em outro lugar que não naquele onde estão e vagueiam pelo mundo durante toda a vida. Há ainda as que não descansam enquanto não conquistam o poder. Em suma, as paixões são tão diferentes quanto o são as pessoas.
A paixão de Bastian Baltasar Bux eram os livros.
Die Unendliche Geschichte – Michael Ende
As paixões humanas são misteriosas, e as das crianças não o são menos que as dos adultos. As pessoas que as experimentam não as sabem explicar, e as que nunca as viveram não as podem compreender. Há pessoas que arriscam a vida para atingir o cume de uma montanha. Outras arruínam-se para conquistar o coração de uma determinada pessoa que nem quer saber delas. Outras, ainda destroem-se a si mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa – ou da garrafa.. Outras há que arriscam tudo o que possuem num jogo de azar, ou sacrificam tudo a uma idéia fixa que nunca se pode realizar. Algumas pensam que só podem ser felizes em outro lugar que não naquele onde estão e vagueiam pelo mundo durante toda a vida. Há ainda as que não descansam enquanto não conquistam o poder. Em suma, as paixões são tão diferentes quanto o são as pessoas.
A paixão de Bastian Baltasar Bux eram os livros.
Die Unendliche Geschichte – Michael Ende
5 de setembro de 2003
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