18 de julho de 2005

Passava desavisado pela frente de um aparelho televisor ligado quando me deparo com o Chico Buarque, num especial, quando ele começou a tocar uma música especialíssima:
"TERESINHA".
O primeiro me chegou, como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada e, assustada, eu disse não.

O segundo me chegou, como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta, me chamava de perdida.
Me encontrou tão desarmada, que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada e, assustada, eu disse não.

O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada, também nada perguntou
Mal sei como ele se chama, mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro dentro do meu coração"

Que sacana esse Francisco. . . Essa ode ao amor de verdade, amor físico (por onde todo amor de verdade começa), amor de surge e não tem negação, é o que ficou na minha mente de como deve ser o amor. Acredito que muitas pessoas veem esse amor como uma utopia, uma pena. . .

11 de julho de 2005

Tenho vivido sob uma máxima que poderia ter saído dobrada de um pequeno papel embrulhado dentro de um biscoito da sorte de uma loja de fast food mandarim ou ainda de uma página eletrônica de citações dessas que mais parecem uma are. Na verdade, a frase me foi apresentada pelo meu sábio padrinho de casamento, e pertence ao autor de Mensagem para Garcia; Elbert Hubbart:
-“Nunca se explique. Seus amigos não precisam e seus inimigos não vão acreditar.”
Não acho que seja um mote para abandonar a educação ou se tornar insensível á preocupação alheia, porém o limite da compreensão transita pelo respeito e pelo querer bem, portanto, algumas palavras, mesmo que com muita intensão e sinceridade. O Zelo correspondente é o que importa.
O que tem me deixado contente são os retornos dos amigos de verdade. Isso me completa, me faz querer acreditar que o céu continua brilhando sobre nossas cabeças e as flores ainda caem das arvores apenas pra deixar nosso caminho árduo mais bonito e agradável.
E o Rio de Janeiro continua lindo e sendo... E o vai e vêm das meninas no Baixo Gávea, os amigos nas mesas de bar. . . Só o meu bem que está distante , mas em meu coração, sempre.
Hoje eu preciso estar carregado de energia, preciso brilhar para enriquecer aqueles que precisam do meu trabalho como entretenimento ou degustação artística. Espero que essa força me motive e me ajude.
Sem explicações, sem possessividade, sem insegurança. Apenas bem querer. Meu e recíproco. Amizade, acima de tudo.

6 de julho de 2005

Ainda estou no Rio; Organizando uma leitura de textos do meu avô; com uma vontade louca de voltar pra cá, e, é claro, tentando me agenciar aqui como ator, a parte que eu realmente preciso de ajuda (o resto, eu tiro de letra, como diria o Sábio Pedro Xavier Borges de tão fácil "sai no xixí").

Amigo paulistano, não desanime, é só uma rebordosa de vários fatores. São Paulo me foi acolhedora, porém cara e sem promessa de trabalho forte na minha área. Mas eu sou insistente, só estou dando fôlego para os produtores respirarem antes de inventarem outra desculpa nas recusas de chamado. Eles já gastaram todas nos últimos quatro meses.

Amigo carioca, seja mais camarada e menos "carioca"; me procure! Ao dizer que quer me ver, me veja! Se for me disser que vai me ligar, ligue! Porque eu sempre acredito, apesar de também sofrer desse mal dispersivo que essa cidade maravilhosa nos provoca. . . Mas a lua continua linda sobre Copacabana. . . E o Arpoador, com ameaça de chuva . . . Do que eu estava falando mesmo?

22 de junho de 2005

Vim ao Rio extrair um ciso, estou de molho esses dias, com dor e testando uma placa pra segurar minha mandíbula que tava deslocando de bruxismo.

Fui ao casório do Campos, onde revi queridos amigos, festejei a união, e até fiquei feliz de ver o emprenho em tentar me mostrar desprezo que as pessoas de mente fraca controladas pela Lord Sith Darth Simanca em torno do Império Galáctico das mentiras tentaram fazer.
Que bom que elas se empenham de verdade, e quase conseguem se organizar, mesmo que seja pra serem babacas e ridículas e obedecerem a mentira maior. Mostra bem o caráter delas. Enfim, uma revelação esse casamento, adorei.
Desejo á estas pessoas exatamente o que elas desejarem pra mim, em triplo!

Vai aqui uma explicação pra todas as pessoas que tem me perguntado as mesmas coisas esse tempo todo:

1- Mudei pra São Paulo porque casei. Exclusivamente.

2- Achei que fosse rolar trabalho como ator, que rolasse um mercado alternativo e diferente, mas não tenho conseguido trabalhar na minha área.

3- E ainda não consegui trabalho. Estou ajudando á Unidade Moema como colaborador, mas não é a minha área, faço porque gosto e porque a Rede DeRose, a Uni-Yôga e as Unidades Copacabana, Botafogo e Moema sempre me apoiaram e ajudaram e merecem minha dedicação por tanta camaradagem por esses anos todos. Amo muitas pessoas da egrégora, muitas mesmo, nem cabe citar todas.

4- Vou e quero trabalhar na minha área, seja em São Paulo ou no Rio. É o que eu gosto, é como sei trabalhar, é o que me engrandece, é como sei e preciso me expressar artisticamente. Mas infelizmente não estou conseguindo em SP. Estou procurando e topando fazer qualquer trabalho artístico como ator.

Esclarecido? Assim espero.

Bjs a todos! Ainda estou essa quarta e quinta no Rio, parto provavelmente na sexta no começo da tarde pra SP...

4 de maio de 2005

Castigat ridendo mores latim Corrige os costumes sorrindo
Princípio em que se fundamenta a comédia, criado por Jean de Santeuil

29 de abril de 2005

"Por que nome chamaremos
quando nos sentirmos pálidos
sobre os abismos supremos?

De que rosto, olhar, instante,
veremos brilhar as âncoras
para as mãos agonizantes?

Que salvação vai ser essa,
com tão fortes asas súbitas,
na definitiva pressa?

Ó grande urgência do aflito!
Ecos de misericórdia
procuram lágrima e grito,

– andam nas ruas do mundo,
pondo sedas de silêncio
em lábios de moribundo."

Cecilia Meirelles

27 de abril de 2005

Ontem eu errei.
Errei em escolher algo que faço, que fiz e que quero fazer. Errei por não querer abrir mão do que acredito. Errei porque sou acomodado, porque me engano que esteja realmente fazendo algo, errei porque vivo no mundo do sonhar. Errei porque não tenho porque. Errei e não quero mais errar. Errei e não quero ser mais errado. Errei e me arrependo, mas não quero ficar arrependido, mas sim, quero aprender com o erro. Errei sim, sei que errei e sei que errei feio, errei como nunca na vida devia ter errado.
Mas também já errei antes, e sei que vou errar ainda mais um pouco, até as coisas deixarem de ser opacas e começarem a se tornarem nítidas. E preciso na próxima vez agir de forma diferente, compreensiva, ilimitada e nobre. Agora e na próxima vez serei melhor, melhor do que sou, melhor do que já fui, melhor até do que prospecto.
Não sei por onde começo, mas levantar daqui e ir fazer algo já me parece ser o caminho. E é exatamente o que estou indo fazer agora!

12 de abril de 2005

A Importância de seguir...
Recebo o telefone entre uma troca de mensagem com o meu amigo Felipe e com minha mulher. É o diretor de uma companhia de teatro para eventos direcionados para empresas aqui de São Paulo que trabalham com uma técnica específica e recente de Teatro.
"Daniel? È o Fulano. Estou ligando como disse que faria para dar um feedback do seu teste. Infelizmente você não passou." . e eu disse "...." (ou seja, nada disse). " O grupo entrou em consenso que tempos pouco tempo de ensaio, e existe uma linha muito tênue entre a verdade que queremos imprimir e a caricatura
Apesar de você ser um ator interessado, ter se mostrado interesse e até bastante se mostrar um bom trabalhador de equipe, o grupo achou seu trabalho mais caricato. " . Dessa vez eu consegui responder um "entendo" bem político e engolido pela vontade de chorar. Era complicado tudo isso pra mim: Sempre fui um ator de pegar trabalhos por estar envolvido com grupos teatrais ou, no máximo, fazer um teste por uma indicação ou outra. Toda essa realidade desse excesso de testes e mais testes que estou passando me é um pouco estranha.
"Eu não sei o que você pode fazer com essa informação, talvez pensar um pouco sobre isso" O Fulano continuou. Na verdade, de todos os testes que eu fiz até agora, esse era um que, salvo alguns pontos, eu tinha me encantado mais de fazer. Pagava bem, e era um trabalho teatral, apesar de diferente e com vários defeitos (como outros vários que já fiz, mas que não pagavam tão bem assim).
Agradeci a sinceridade e o feedback e ele falou mais "De qualquer forma é isso, obrigado pelo seu tempo, que você dedicou, fazendo a entrevista e o teste em si." Agradeci e disse que se houvesse uma outra oportunidade que eles poderiam me contatar "Sim, claro, Daniel, a porta não está fechada".
Fiquei muito triste ao desligar o telefone. Me engasguei com as lágrimas que ameaçavam se formar e senti um vão no lugar do chão sob meus pés. Senti que estava tentando errado, que não estou no meu ambiente, que não iria conseguir nunca trabalhar aqui, aqui até onde o trabalho dos artistas tem que ser formal e normatizado. Falei com a minha esposa por mensagem instantânea de disse que não queria falar sobre isso. Meu pai me ligou e acabei falando um pouco. Senti vontade de ligar para minha madrinha de casamento, minha grande amiga, mas segurei. Senti depois vontade de ligar para um sujeito que eu considerava amigo, mas que optou por não me ter mais ao lado dela, seja trabalhando ou como meu amigo. Respeitei essa decisão dele e liguei pra minha madrinha. Conversamos, ela me ouviu, falou aquelas coisas que falamos pros amigos nessas horas, e outras coisas pertinentes. Pensei no que ela falou, no que meu pai falou e no que eu sei que minha esposa está pensando. E agora penso com meus botões;
"Caricato". O que é ser caricato afinal ? O que é essa "verdade" que eles querem atingir? Eu não á vi lá na demonstração do grupo. Gostei mais da qualidade de integração do grupo que do trabalho artístico de cada um. Vi momentos bons, outros legais, mas de um modo geral, vi um trabalho chapado, sem cor, monocromático. O que vi era o potencial de ser uma coisa boa. E tem duas coisa que me interessaram em desejar passar .... Minto, três coisas. O grupo, o potencial e o dinheiro. Sonhei, aguardei, esperei, e a resposta chegou. Achei a resposta caricata. De um grupo que é uma caricatura de uma companhia teatral, que fazem esse Teatro-terapia para empresas. Achei que as uvas não ficaram verdes, elas sempre eram verdes, eu que as pintei de roxo na minha cabeça pra saciar minha fome. Para não ter que caminhar mais e procurar um cacho saboroso de verdade e que aceite a ser degustado por um ator "caricato". Seria a caricatura algo ruim? Não é o grande sorriso ou a grande choro das máscaras do teatro a demonstração que o artista assim pode vir a interpretar, a representar o mundo? Achei superficial o feedback. E minha intuição me diz que de verdadeiro, ele saiu por uma tangente obvia.
Conheço minhas limitações. Sei que, de um modo geral e pelos meus últimos trabalhos, não tenho seguido uma linha "realista". Mas existe muita verdade no que represento, as vezes, mais do que muitas dessa linhas. Sei porque sinto e observo quando atinjo o publico e o faço sentir. Eu vi as caras da platéia, eu percebi a simpatia do que eles viram. Claro, concordo que eles até realmente tem pouco tempo, mas acho que eles tem menos tempo agora.
Eu ca tenho comigo que eles sentiram medo. Eu tenho cá comigo que eu os mostrei, dentro da minha caricatura verdadeira que na verdade eles fazem uma verdade caricaturada, e que eles não possam acompanhar as nuanças de dilatação que eu poderia acrescentar ao repertório deles; tenho cá comigo que eles resolveram não ousar. Que eles escolheram os atores "amigos" que lá estavam, que de uma certa forma eu até entendo, eu já fui o "ator amigo" escolhido. Mas sem falsa humildade, que escolha pobre. Caricaturas de atores, que só tem em suas costas bagagem de publicidade. Caricaturas de pessoas que fingem não sonhar sair do mundinho insosso que levam. Que fingem que nada querem com emissoras de televisão nem com o estrelato. Escolhidos por um diretor que e uma caricatura de empresário, formal e, como diria o Jabour, "sem sal" e, pelas fotos que eu vi na parede, era uma caricatura de Gerald Thomas (cigarro na munheca, roupas pretas justas e cabelo grande escorrido). Ou escolhidos pelo(s) colega(s) paulistano(s), caricaturas de ator paulistano, cheios de crises mundanas e sem forma artística definida.
Mas ainda sim, estou chateado. Estou, não minto, não temo admitir, nem temo que isso não possa ser bom pra mim. As contas dessa cidade cara estão gritando para serem pagas, as datas estão estouradas, os problemas estão sem solução aparente e o ânimo anda meio desanimado. Como diria um conhecido meu - Nessas horas, respira fundo, olha pra cima, estufa o peito e fala com toda convicção: "Agora Fudeu!". e fudeu mesmo. Vou ficar como diz o Hebert na sua musica "Desempregado, endividado, sem ter onde cair morto, sem ter nem como pagar, nesse pais, nesse pais, nesse pais, que alguém me disse que era nosso, Hahahahaha".
Mas mesmo triste e sem esperança, eu continuo. Alias, a Esperança, que eu achei que poderia também ser um bom contato, não trabalha mais com isso. E outros não s que eu venho tomando esses dias de encontros com amigos aqui em São Paulo, de vontades que tenho de fazer as coisas, de outros trabalhos menos importantes, mas que ora bolas, são trabalhos. são trabalhos...