Primeira experiência democrática do Brasil
Em pleno século 17, no coração da América portuguesa, numa região que
hoje pertence a Alagoas, ergue-se um Estado rebelde, independente e
completamente livre da escravidão, das “leis” e da opressão da coroa
portuguesa.
Os cidadãos de várias etnias (negros em sua grande maioria) que ali
habitavam tinham o seu próprio comércio, seus próprios códigos de
conduta e respeito mútuo, e uma soberana forma de viver. Mantinham
contatos com estados vizinhos e articulavam fugas de escravos, a quem
davam proteção e ajuda. Foi neste lugar que o grande líder palmarino
organizou e mobilizou seu povo contra ataques de poderosos senhores de
engenho e o poder colonial português.
Infelizmente a mais temida, democrática e livre povoação de escravos
fugidos que existiu no Brasil foi completamente destruída em 1694 por
bandeirantes comandados pelo assassino profissional Domingos Jorge
Velho.
Apontado o seu esconderijo por um ex-companheiro preso e barbaramente
torturado pelos sequazes de Domingos Jorge Velho, Zumbi caiu nas mãos
do adversário e foi assassinado no dia 20 de novembro de 1695. Em sua
homenagem o movimento negro adotou essa data como o Dia da Consciência
Negra.
O ataque decisivo aos Palmares realizou-se nos primeiros meses de
1694. Segundo relato dos próprios inimigos, os quilombolas resistiram
com determinação extrema, usando armas de fogo e flechas, água fervente e
brasas acesas. Sem dúvida foi o mais belo e heróico de todos os
protestos dos escravos no Brasil.
Os bandeirantes: falácia e fato
Os homens que participavam das Bandeiras eram em sua maioria
mestiços, rudes e pobres que vagavam pelos sertões em busca da
sobrevivência econômica, fosse escravizando índios e escravos fugidos,
ou procurando metais preciosos. Alguns ultrapassaram a linha do
Meridiano de Tordesilhas e conquistaram (inconscientemente) a maior
parte do Brasil atual para o domínio português; fizeram-no, entretanto,
como um subproduto da luta desesperada pela sobrevivência.
Em apenas três décadas, as primeiras do século 17, os bandeirantes e
seus ajudantes mamelucos mataram e escravizaram cerca de 500 mil índios,
destruindo mais de 50 reduções jesuíticas.
Porém, ainda no século XVII, os historiadores, Afonso Taunay e
Alfredo Ellis Jr., deram início à fabricação do "mito bandeirante" que
conhecemos hoje em dia.
Os documentos que eles publicaram revelam uma saga de horrores
(alguns bandeirantes tinham como hábito cortar e salgar orelhas de
índios abatidos, guardando-as como troféu de guerra). Ainda assim,
Taunay e Ellis Jr. preferiram forjar a imagem dos bandeirantes altivos e
galhardos, mesmo sabendo que esses caçadores de homens estavam
especialmente treinados para escravizar e matar.
Justas e injustas homenagens – O que nos deixa entristecido é saber
que, no Brasil, inúmeras homenagens são prestadas aos violentos
bandeirantes e quase nenhuma a quem lutou por liberdade, com coragem e
determinação, e ajudou inúmeros outros seres humanos a viverem com mais
dignidade.
Em várias cidades brasileiras podem-se ver nomes de ruas, bustos e
esculturas imensas de representantes dos sanguinários bandeirantes.
Raposo Tavares, Borba Gato, Bartolomeu Bueno, Garcia Rodrigues e até
mesmo Domingos Jorge Velho são reverenciados Brasil afora em gigantescas
imagens esculpidas ou em nomes de avenidas e ruas movimentadas.
Progresso
Em 2003, no dia 9 de Janeiro, a lei 10.639 incluiu o Dia Nacional da
Consciência Negra no calendário escolar. A mesma lei torna obrigatória o
ensino sobre diversas áreas da História e cultura Afro-Brasileira. São
abordados temas como a luta dos negros no Brasil, cultura negra
brasileira, o negro na sociedade nacional, inserção do negro no mercado
de trabalho, discriminação, identificação de etnias etc.
Em 2011, a presidente Dilma Roussef sancionou a lei 12.519/2011, lei que
criou a data, mas que não obriga que ela seja feriado. Isso significa
que ser feriado ou não vai variar de cidade para cidade. O Dia da
Consciência Negra é um feriado em mais de 800 cidades brasileiras.
Como tudo aconteceu:
1600: Negros fugidos ao trabalho escravo nos engenhos de
açúcar de Pernambuco, fundam na serra da Barriga o Quilombo de
Palmares; a população não pára de aumentar, chegarão a ser 30 mil; para
os escravizados, alguns portugues, indios e mestiços Palmares é a Terra da Liberdade .
1630: Os holandeses invadem o Nordeste brasileiro.
1644: Tal como antes falharam os portugueses, os holandeses falham a tentativa de aniquilar o quilombo de Palmares.
1654: Os portugueses expulsam os holandeses do Nordeste brasileiro.
1655: Nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares
1662 (?):
Criança ainda, Zumbi é aprisionado por soldados e dado ao padre
António Melo; será baptizado com o nome de Francisco, irá ajudar à
missa e estudar português e latim.
1670: Zumbi foge, regressa a Palmares.
1675:
Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor
Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar.
1678: A Pedro de Almeida, Governador da capitania de
Pernambuco, mais interessa a submissão do que a destruição de Palmares;
ao chefe Ganga Zumba propõe a paz e a alforria para todos os
quilombolas; Ganga Zumba aceita; Zumbi é contra, não admite que uns
negros sejam libertos e outros continuem escravos.
1680: Zumbi lidera em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas.
1694: Apoiados pela artilharia, Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco,
principal mocambo de Palmares; embora ferido, Zumbi consegue fugir. 1695, 20 de Novembro: Zumbi é localizado, preso e degolado.
"Precisamos desenterrar os heróis do Brasil... Herói morto não voa"
Tizumba
2 de novembro de 2014
31 de outubro de 2014
Verso de uma perna só
A perna
que falta
Presa no grilhão
Escravizada, então
Pra trás foi deixada
Presa no grilhão
Escravizada, então
Pra trás foi deixada
Liberdade
e alegria
Ainda que tardia
Pular à vontade
Fazer traquinagem
Com muita simpatia
Ainda que tardia
Pular à vontade
Fazer traquinagem
Com muita simpatia
A
liberdade custou uma perna?
Azar da
perna. Azar do escravagista.
Primeiro Black Block contra a tirania
Levou a
agua de Sampa
E pode
levar a do Rio
Pra expor
o descaso e a apatia
As
travessuras do Saci são um ato politico
Contra a
civilização da selvageria.
Vivam todos os sacis
Trique , Saçurá, Tererê
Do Poá, Sacerê, Taterê
Todos os esquecidos
Piléu de sangue
liberto
Pitando
fumo incorreto
Viva o
Saci-Pererê
Alegoria do livre pensar
Alegoria do livre pensar
Redemoinho
solto no ar
Brazuca, “Uh
Teterê “
Hallowen também é legal
Já que é uma festa comercial
Compramos nosso lugar sacional
Compramos nosso lugar sacional
Então viva
o Trickster Nacional
30 de outubro de 2014
"Tentei ficar quieto, mas não me aguentei.
Sou de uma família tradicional e de classe média alta brasileira, e fui o único a votar na Dilma.
Nos últimos anos tive o privilégio de morar por 2 anos em Estocolmo, trabalhando e estudando. E digo o que pouca gente imagina: na maior parte da Suécia não existe luxo.
Eu morei num prédio onde moravam médicos, lixeiros, músicos, advogados, e atendentes de super mercado. Juntos. Eu vi pessoas muito ricas andando de bicicleta no inverno, e aproveitando a vida comendo sanduíche sentado no chão de um parque (não num shopping). Donos de agências que atendem Pepsi, NBA, RedBull almoçando comida feita em casa num tupperware sentados na mesma mesa que eu que era imigrante e o Estagiário Assistente de Escritório.
Eu vi meninas como essas da foto andando sozinhas às 3h da manhã em áreas vazias, olhando o mapa no iphone usando shortinho meia bunda e regatinha que mostra o lado do peito ouvindo a música nova da Lykke Li no último volume e cantando. E passaram do meu lado na mesma calçada sem nem atravessar a rua. Sem medo.
Sem.
Medo.
Tudo isso, que nós brasileiros invejamos tanto e dizemos que ‘lá fora é muito melhor’ só se consegue com uma coisa: igualdade social.
A Suécia não chega a ter 10 milhões de pessoas, e a igualdade lá vem sendo praticada desde o início.
O Brasil tem 200 milhões e a desigualdade aqui vem sendo praticada desde o primeiro instante. O que isso implica?
Implica que se você, pessoa que gosta tanto da Europa, quer que o Brasil fique um pouco mais parecido com lá, abraçar a causa da igualdade social é uma necessidade. E ela pode acontecer de duas formas: rápido ou devagar.
Rápido está fora de questão, mas devagar é sim possível. Eu pergunto: Qual é o problema se o país precisa crescer 1% ao invés de 6% para que o Brasil saia do mapa mundial da fome? Ou para que o analfabetismo acabe? Ou o saneamento básico?
Você se preocupa mais com o quanto cai na sua conta do que com quantas pessoas conseguem comer, escrever o próprio nome ou defecar em um lugar decente?
Crescimento de economia é uma coisa, é cálculo do PIB que soma em valores monetários todos os bens e serviços finais produzidos no País.
Já o IDH mede expectativa de vida, analfabetismo, educação, padrão e qualidade de vida e entre outras coisas também o PIB per Capita.
‘O país tem que voltar a crescer’, foi slogan de uns e é opinião de todos, mas o que é ‘crescer’?
Crescer é PIB para poucos como sempre foi no Brasil?
Ou crescer é IDH, com PIB mais distribuído para todos?
O Brasil não tem meios de gerar mais dinheiro do que o que já circula dentro dele (seria lastro para controle) ou seja, a riqueza que existe dentro do Brasil precisa sim ser melhor distribuída para que você possa ter aqui, aonde suas netas e netos irão nascer, uma qualidade de vida mais parecida com a da Europa. Sem medo.
Sem.
Medo.
Mas como dinheiro não cresce em árvore, pra que isso aconteça, tem que mexer no que é teu.
Só que quando alguém fala em mexer no que é teu, ninguém mais quer igualdade social, e todo esse papo vai por água a baixo. Certo?
Certo.
Amigo, a verdade é: egoísmo não combina com igualdade social. Ninguém gosta de dividir as duas últimas preciosas bolachas favoritas.
Se você quer ser egoísta, ao menos seja sincero e diga que está pouco se fodendo para os humanos aqui do Brasil do sul ou do norte que torcem junto contigo pro Neymar Jr. na Copa do Mundo. Que tanto faz se eles sabem ler, escrever ou tem o que pôr na barriga. Então faça sua trouxinha de dólares e ajude a sustentar alguma ONG que ajuda algum 'vagabundo' na África. Não vou te julgar ou tentar te convencer. Mas é isso o que penso."
Gregory Zancanaro Carniel
Sou de uma família tradicional e de classe média alta brasileira, e fui o único a votar na Dilma.
Nos últimos anos tive o privilégio de morar por 2 anos em Estocolmo, trabalhando e estudando. E digo o que pouca gente imagina: na maior parte da Suécia não existe luxo.
Eu morei num prédio onde moravam médicos, lixeiros, músicos, advogados, e atendentes de super mercado. Juntos. Eu vi pessoas muito ricas andando de bicicleta no inverno, e aproveitando a vida comendo sanduíche sentado no chão de um parque (não num shopping). Donos de agências que atendem Pepsi, NBA, RedBull almoçando comida feita em casa num tupperware sentados na mesma mesa que eu que era imigrante e o Estagiário Assistente de Escritório.
Eu vi meninas como essas da foto andando sozinhas às 3h da manhã em áreas vazias, olhando o mapa no iphone usando shortinho meia bunda e regatinha que mostra o lado do peito ouvindo a música nova da Lykke Li no último volume e cantando. E passaram do meu lado na mesma calçada sem nem atravessar a rua. Sem medo.
Sem.
Medo.
Tudo isso, que nós brasileiros invejamos tanto e dizemos que ‘lá fora é muito melhor’ só se consegue com uma coisa: igualdade social.
A Suécia não chega a ter 10 milhões de pessoas, e a igualdade lá vem sendo praticada desde o início.
O Brasil tem 200 milhões e a desigualdade aqui vem sendo praticada desde o primeiro instante. O que isso implica?
Implica que se você, pessoa que gosta tanto da Europa, quer que o Brasil fique um pouco mais parecido com lá, abraçar a causa da igualdade social é uma necessidade. E ela pode acontecer de duas formas: rápido ou devagar.
Rápido está fora de questão, mas devagar é sim possível. Eu pergunto: Qual é o problema se o país precisa crescer 1% ao invés de 6% para que o Brasil saia do mapa mundial da fome? Ou para que o analfabetismo acabe? Ou o saneamento básico?
Você se preocupa mais com o quanto cai na sua conta do que com quantas pessoas conseguem comer, escrever o próprio nome ou defecar em um lugar decente?
Crescimento de economia é uma coisa, é cálculo do PIB que soma em valores monetários todos os bens e serviços finais produzidos no País.
Já o IDH mede expectativa de vida, analfabetismo, educação, padrão e qualidade de vida e entre outras coisas também o PIB per Capita.
‘O país tem que voltar a crescer’, foi slogan de uns e é opinião de todos, mas o que é ‘crescer’?
Crescer é PIB para poucos como sempre foi no Brasil?
Ou crescer é IDH, com PIB mais distribuído para todos?
O Brasil não tem meios de gerar mais dinheiro do que o que já circula dentro dele (seria lastro para controle) ou seja, a riqueza que existe dentro do Brasil precisa sim ser melhor distribuída para que você possa ter aqui, aonde suas netas e netos irão nascer, uma qualidade de vida mais parecida com a da Europa. Sem medo.
Sem.
Medo.
Mas como dinheiro não cresce em árvore, pra que isso aconteça, tem que mexer no que é teu.
Só que quando alguém fala em mexer no que é teu, ninguém mais quer igualdade social, e todo esse papo vai por água a baixo. Certo?
Certo.
Amigo, a verdade é: egoísmo não combina com igualdade social. Ninguém gosta de dividir as duas últimas preciosas bolachas favoritas.
Se você quer ser egoísta, ao menos seja sincero e diga que está pouco se fodendo para os humanos aqui do Brasil do sul ou do norte que torcem junto contigo pro Neymar Jr. na Copa do Mundo. Que tanto faz se eles sabem ler, escrever ou tem o que pôr na barriga. Então faça sua trouxinha de dólares e ajude a sustentar alguma ONG que ajuda algum 'vagabundo' na África. Não vou te julgar ou tentar te convencer. Mas é isso o que penso."
Gregory Zancanaro Carniel
O mundo das opniões é o mundo fácil.
O mundo das opniões é o mundo fácil . Trabalhoso é conhecer para saber criticar e ai sim apreciar, desdenhar é/ou valorar . Eu adoro ter trabalho por isso me dou o trabalho de sempre pesquisar . Não critico quem não faça , não sou bom de esperteza, meu grave defeito na sociedade do espetáculo que estou inserido e tiro meu sustento. Mas de fato não me interessa o acúmulo de coisas, me interessa o acúmulo de pontos de vista . Assim posso melhorar sempre como pessoa e como artista http://youtu.be/TsJ9gucPmjA
Deuses e árvores
Meu vô-drasto" Antonio Olinto dizia : (...) De minha experiência na
África, aprendi que a árvore é sagrada. Certa vez, no reino de Keto,
visitando meu amigo Ewé, notei que uma árvore estendera um de seus
galhos na direção de uma parede alta de sua casa e comentei: "Ewé, você
vai ter de cortar aquela árvore, senão ela derruba sua casa".
Meu amigo me olhou espantado e perguntou: "Derrubar a árvore? Eu não posso derrubar aquela árvore". Eu quis saber por que. Resposta: "Um Deus mora naquela árvore". Depois de um ligeiro espanto, indaguei: em toda árvore mora um Deus?
Meu amigo me olhou espantado e perguntou: "Derrubar a árvore? Eu não posso derrubar aquela árvore". Eu quis saber por que. Resposta: "Um Deus mora naquela árvore". Depois de um ligeiro espanto, indaguei: em toda árvore mora um Deus?
Diante da resposta positiva perguntei: "E se vocês tiverem um terreno
com várias árvores e precisarem do lugar para, digamos, construir uma
estrada?" Resposta:
"Neste caso, a gente faz uma festa para as árvores, dançamos diante delas e pedimos que os deuses mudem para outras árvores próximas, porque é possível uma árvore ter mais de um Deus""(...)
Não fizeram festa, não dançaram e nem construirem casas ou estradas.
Cortaram uma morada de deuses para fazer demagogia. #EPICFAIL
http://oglobo.globo.com/brasil/arvore-cortada-para-dar-lugar-propaganda-sobre-preservacao-ambiental-gera-polemica-14398152?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo#ixzz3HY5icKjL
"Neste caso, a gente faz uma festa para as árvores, dançamos diante delas e pedimos que os deuses mudem para outras árvores próximas, porque é possível uma árvore ter mais de um Deus""(...)
Não fizeram festa, não dançaram e nem construirem casas ou estradas.
Cortaram uma morada de deuses para fazer demagogia. #EPICFAIL
30 de novembro de 2013
É de toda a arte que
seria preciso dizer: o artista é mostrador de afetos, inventor de afetos,
criador de afetos, em relação com os perceptos ou as visões que nos dá. Não é
somente em sua obra que ele os cria, ele os dá para nós e nos faz
transformarmos com eles, ele nos apanha no composto. DELEUZE 2005
Sofre o ator que se preocupa
em “chegar a certa emoção”. Lógico, cada um tem seu caminho, sua forma, seu
método... Mas se o teatro hoje não tem
incentivos para concorrer com outras artes midiáticas que são mestras em
“representar a realidade”, ou mais, se “representar a realidade” é um ato de se
concordar com o que aqui está, a falida
política vigente de opressão velada, que se diz apolítica, então só é arte
anárquica àquela que corre por outro caminho.
Qual outro caminho? Não sei,
até aqueles que se dizem “contemporâneos” ocasionalmente se rendem também ao
sistema, dispostos a se sustentar, enquadrar seus projetos em leis de incentivo
fiscais absurdas e desumanas... Por uma questão de sobrevivência.
Pensando bem, sempre
acreditei que a mudança vem de dentro e não de fora, tentando se empurrar algo
em cima do que ai esta. Mas também não sei se só mudar alguns detalhes hoje em
dia basta. Percebo que se torna pouco ousado, pouco renovador.
Mas ainda sim – não sei se
para o publico em geral, mas pelos para alguns espectadores, artistas performáticos
e para mim - o teatro transforma. Seja o must
do “contimporaneu”, seja o dito teatrão com escapes visuais e truques de
ilusionismo, ainda sim, com a presença do ator (e só não uma ilusão de ótica
somente projetada numa tela (sic)) ainda sim isso de fato me transforma,
especialmente porque sou absolutamente cara de pau de ir conversar e sentir os
atores após quaisquer espetáculos.
Outro
dia quando um espectador agradeceu um ator pelo espetáculo que assisti, por um
segundo eu também quase disse “de nada”. Está tão empregado em mim o trabalho
sobre a minha senciência, sobre a
minha capacidade de sentir, que me considero parte do espetáculo, mesmo somente
como espectador. Quase ou parecido com “espectador emancipado”, como
propõe/analisa/ensaia (sei
lá o termo) o Rancière: Que de faço
pertenço ao espetáculo.
Alias, isso também se dá na
frente da lente. Levei o teatro, regulando devidamente sua dimensão para o mais
minimalista dos fazeres, para o trabalho para câmera. Tornei aquele
pequeníssimo espaço um palco.
Não fiz nada demais, muitos
fizeram e fazem isso. De fato para mim, independente da linguagem, estilo,
forma, mídia, local, veículo, a arte do ator é se deixar transformar pelo mundo
ao seu redor. É essa vivência, essa
entrega. Por isso que duvido do status de celebridade de um modo geral. Não que
um artista não possa ser celebre, há muitos mas a celebridade que ai está
sustenta o status quo, normatiza,
atesta, impõe o sistema que ai está. Ele não convida, não instiga debates, não
propõe possibilidades a partir de sua afetação com o mundo em suas muitas
faces, apenas a que precisa ser vendida.
Talvez não a celebridade, mas
o sistema que regula a celebridade, não posso falar de dentro do status de
celebridade, pois não o vivenciei plenamente, apenas convivi. Mas é desse
sistema que falo contra quando o ator tem que se sensibilizar, se deixar
alterar e vivenciar a cena, pois esse sistema do falso conforto e da falsa
liberdade, vulgariza a vivencia, impede o questionamento, repudia a dúvida,
recrimina o erro, descarta a alteridade.
Sei lá, viajei. Queria falar
sobre ação em detrimento da reprodução e acabei desviando o assunto. E acabei
falando sobre outro tipo de resistência que não só à relacionada ao trabalho do
ator... Ou talvez sim. Sei lá.
Leia algo sério e melhor
sobre isso:
Conservar e resistir
difere radicalmente de fixar um referente e reproduzir. A arte inspira-se no
vivido, nas relações dos corpos, nas afecções e nas percepções para extrair
afectos e perceptos. Os seres de sensação, ao se conservarem, abrem-se para a
produção de novos devires, novas possibilidades de existência. A arte resiste
ao desterritorializar o sistema de opinião, talhando fendas no guarda-sol que
nos protege do caos. Ela é contraponto que vence a opinião e extrapola o
vivido. Arte-fabulação, cujos os seres de sensação, seres de fuga tornam-se
traços de expressão possibilitando a metamorfose, já que inventam novos mundos,
compõem universos capazes de rasgar os significados, “estourar as percepções
vividas”, percorrer direções e sentidos diferentes. No momento em que fixa um
só sentido, buscando a significação e a informação, a arte perde o seu poder de
existir e resistir. LINS 2007
17 de setembro de 2013
Interúdio do Transylvania Chronicles
Interúdio do Transylvania Chronicles , jogo de 2006
Gênova –
- "Quero
dizer, acho que foi um pesadelo..." A Tzimisce olha da sacada para a rua,
com o semblante pesado. "Não haveria motivo nenhum para sonhar com Ana se
não fosse por isso..." ela fita a escuridão das ruas, procurando alguma
presa humana com seus sentidos aguçados.
"Não
se subestime, Milenna, você já teve esse tipo de premunição antes" - Lorde
Marcus se aproxima e toma sua mão "alem disso, você compartilha o mesmo vitae Grimaldi
de família, e apesar de ela nem saber que você ainda “existe”, vocês são primas
cresceram juntas..."
A
Tzimisce sorri com seus caninos salientes: "Não sou mais aquela pequena
Revenante há anos, meu bom amigo, não desde que meu sire me escolheu como sua cria e mesmo após sua morte no levante
contra os anciões, mesmo que eu tenha bebido o sangue do coração dele e me
tornado sétima geração de Caim, com sua ajuda..."
Ele
completa sua frase " ....e que seus os poderes do sangue de suas vidência
tenha se amplificado..."
Ela
interrompe o Lasombra "... me assim dando pesadelos sobre primas de consanguínea
cainita. De fato essa existência é amaldiçoada por inteiro. Como é grande a
ironia da Maldição do Primeiro Assassino" Seus olhos se fixam em um
mendigo que anda cambaleante pelas ruelas, parando para urinar.
"De
fato, minha cara, mas antes ser o caçador que a caça" o corpo de Lorde
Marcus começa a ficar coberto pelas sombras da noite. Algo de quase vivo nessa
escuridão parece obedecer a sua vontade "Mas não nos preocupamos em filosofar
sobre nosso estado agora e sim de sermos o que nós somos."
A
escuridão é quase total na sacada, que de repente está completamente banhada de
vermelho sangue, sangue este que começa a se mover bizarramente pela parede do
prédio baixo. A escuridão segue a lamina rubra de sangue pelas ruas abafando
quase toda luz e som de onde passa, inclusive o grito desesperado do bêbado que
mijava.
Budacarest –
"O
que houve, meu amor?" Lucita levanta o corpo de Anatole do chão
"Nossos amigos, por Deus, eles estão á
passos de despertar o ...o .. o ...Nãããããããããoooooo!" após eu grito
Anatole se silencia. Rumina algo em latim, ajoelha-se e volta á rezar.
Lucita
sabe que nenhuma profecia sairá, na verdade mais nada irá sair de sua boca. Não por pelo menos
muitas noites. Sem se importar agora, ela resolve voltar á sua leitura do
manuscrito da Brujah Adana sobre a Camarilla que recebeu de Stanislau no
Castelo Hermanstadt. "Melhor isso do que Monçada" ela suspira tentando
se convencer de suas palavras.
Klausenburg
–
A
imensa loba uiva para os outros dentro da noite. A resposta não é nada
animadora. Dentro desse choro informações assustadoras são passadas. A loba
sabe do que eles falam. Sabe dos perigos que ela deixou para trás há poucos
anos está para novamente amaldiçoar seu caminho e sabe que estar longe
significa perder mais uma vez o rastro ancestral de seu amor. Mas ela sabe de
sua responsabilidade também e em poucos segundos seu corpo começa a se
transformar. Sua pelugem se torna mais negras, seu focinho, troco e patas,
menores. Bem menores. Apenas os dedos das patas dianteiras mantém algum tamanho
e uma película fina os liga por toda a extensão das juntas. Em poucos segundos,
onde estava a loba, um morcego fêmea e sombrio levanta voo em uma velocidade
impressionante pela noite da Transylvania . O destino: sudeste.
Em
algum lugar entre Balgrad e Hermanstadt –
E
velha cigana joga o ovo no chão. Sangue em lugar de clara e gema. A voz da Baba
é rouca e viscosa: "Seus amigos estão levando o filho de Dracul para a Boca
Sangrenta. Lá ele aprenderá a verdadeira natureza dos Fiends."
O
cigano mais novo permanece agachado, com o semblante de desapontamento. A outra
cigana "Eu disse que os vi no castelo de Oto. Eles estavam lá, pajeando
Rustovich. Se anunciando mensageiros de Radu. E levaram Vlad depois da confusão
dos Anarquistas". Ela dá meia volta e caminha para fora da carroça.
"Eles
vão entregar o Impalador para eles, velha Durga ?" Pergunta o cigano.
A
velha sorri, seu rosto horrendo se contorce e suas presas se salientam "O
que está feito está feito, pequeno Dimitri" Ela acaricia um corvo negro e
o lança á voar pela janela. "E o que está destinado á acontecer... Bem,
isso é certo de ser inexorável. Mas é claro que os dons de sentir o fluxo da
Roda do Karma não é um dom de Santa Sarah (ou Kálí ou Lilith, como preferir), apenas
para ser apreciado, e sim, para ajudar aqueles que tem a motivação e coragem de
ajustar as coisas. Deixar Fluir o que deve acontecer, protelar o que pode ser
protelado e impedir o que deve ser impedido. Só resta á você, meu caro, e aos
seus amigos entenderem o que devem fazer, dentro de seus amaldiçoados corações.
O que você me diz então?"
Dimitri
nada responde, mas levanta-se e segue seu corvo pela noite. A Durga permanece
sozinha em sua cabana, fitando um punhal com o símbolo de um dragão em seu
cabo. Uma lagrima de sangue cai de seu olhos "Ah, meu belo e jovem Rei. Se
você soubesse o que o destino reserva para teu filho... Talvez você não tivesse
nunca me ouvido. Talvez você tivesse me destruído. Que MahaKálá se encarregue
de seguir seu fluxo ....inexorável.".
Ruinas
do Castelo Hermanstad –
Zelios
termina de escrever a carta, colocando de volta a pena no tinteiro. Se levanta
da mesa e lê em voz alta para si. "Minha cara Ruxandra, apesar de você
insistir nesse engodo, ao preço de nossa vidas, não posso compactuar com isso.
Nem mesmo que pela diversão que seja enganar os Voivoides Tzimisce
e os Patrícios Ocidentais Ventrue, o risco é alto demais. Principalmente após
ter arriscado a vida de meus aliados duplamente, se escondendo em seus domínios
ou deixando o incêndio dos Anarquistas quase destrui-los. Sei que eles podem
estar entregando o mortal Dracula para os Voivoides, mas eles não
tem culpa de desconhecerem as profecias ou mesmo de saber o quão arriscado são
seus movimentos. Ao menos eles não entregaram ele para Buscul ou qualquer outro
Patrício Arpad. Agora você está por sua própria conta. Estou partindo para o Oriente
e deixo-a sob sua própria sorte, minha
falsa Príncipe. Que Caim tenha piedade de sua alma maldita. Seu grão sire, Zelios." O Nosferatu fecha a
carta em um envelope. Depois volta a sua atenção para os mapas em cima da mesa.
O papiro carcomido do primeiro diz "Egito Antigo" em latim. Zelios
quase sorri.
Alamut
–
Tariq
e Al-Sharad conversam telepaticamente. O assunto é o único mortal que derrotou
um Califa Assamita em milênios, Drakulya. Al-Sharad se levanta e
ruma para o Sanctum de sua Cria.
Tariq não está nada feliz. Ele reabre as "Escrituras de Haquim" e
passa novamente sobre o capitulo das profecias de Ynosh. Ele não acha nada
sobre o mortal e a Catedral de Carne. Ele continua infeliz. E preocupado. Ele
volta a meditar em Maomé em busca de conforto. Mas ele sabe que isso não dará
resultado. E a próxima reunião do Conselho dos Pergaminhos está tão distante...
Umbra
Profunda, Enoch –
"Marcus
Vitellinus" passeia pelo jardim de Zillah. Na frente do templo do Aralu, o
Lasombra, que muitas noites atrás era conhecido como Lucius Aelius Sejannus lê
os nomes do Aralu. "Nergal, Al-Marih, Loz e Nimug". Ele olha para as
sombras distantes da Primeira Cidade e tem a impressão de que elas olham para
ele. "Se você soubesse, minha cara Cria Lady Miriam, em que você está se
metendo..." Ele não consegue deter seu sorriso.
Budapeste
–
"Conte,
Havnor, conte para eles... Diga a eles, diga a eles, meu caro" Octavio
ouve em sua mente.
"Não,
eu já avisei a eles. O que quer que você queira que eles saibam esta noite você
deve ir lá e dizer a eles você mesmo!"
E
então, misteriosamente "a voz" em sua mente se cala. Octavio, depois
de muitos anos, quase suspira aliviado. Mas ele sabe que será por pouco tempo.
Ele testou a paciência da "voz" pela ultima vez... Ele roga para que
o seu descanso nos caninos do Profeta da Gehenna chegue logo. Ele não aguenta
mais existir. E ele também chora lagrimas de sangue, pois sabe que ainda vai
levar um tempo para isso acontecer.
Ceoris -
Etrius
veda a passagem para a tumba de seu mestre. Por um breve segundo, ele ouve um
vento que ainda escapa pela entrada. Por um segundo, aquele vento lhe parece
familiar. Lembra quase uma leve risada maquiavélica que seu patter costumava
dar no período entre sua transformação em Cainita e o Amaranto de Saulot. Ou
ainda após disso, nos poucos períodos que ele permaneceu acordado. Mas algo
quase inaudível por trás dessa risada a acompanhava. Afastando essas bobas
lembranças de sua mente, Etrius novamente torna a repetir os encantamentos de
proteção para impedir o acesso de outros á câmara de Tremere. Os pensamentos
nas notícias de Celestyn e na tarefa de prender o fantasma do Faraó Fantasma
dispersa a sensação terrível da possibilidade de seu "sire nominal" estar gargalhando em seu torpor ...
Igreja
Negra de Kronstadt
...E
como em ressonância á brisa vinda de Ceoris, outra vem do sarcófago de
"Lugoj”. O revenante Rhuven se contorce de medo, ao ouvir um ruído vindo
do descanso de seu domitor. Desde o seu ultimo discurso para os anarquistas
após o ataque á capela sombria do Anciente, o "Quebrador do Laço"
ainda não havia se manifestado. Em sua mente, apenas uma palavra ecoa... Gehenna...
Passagem
Tihuta -
"Você
os perdeu, eles acabaram de sair" Radu olha com preocupação para a escuridão
de sua sacada. "Eu lhes dei a palavra de fazer da Grimaldi sua cria, e de
Wenceslau.. "
O
Voivoide dos Voivoides interrompe
"Você percebeu o poder de Yorak sob nossas mentes? Em séculos nenhuma vez
ele interviu tanto quanto agora. Existe algo de realmente especial naqueles
meninos e, principalmente, naquele mortal Draculesti. Não gostei nem um pouco
de receber ordens, principalmente do Sacerdote de Carne, ainda mais agora que o
Anciente foi destruído... Nós podemos contra ele, Radu, se nos unirmos á Vykos
e Veyla..."
Radu
interrompe "Basta, Rustovich. Seu ódio pelod Lupinos está se transbordando
para Yorak. Olhe o que você está me propondo, meu caro!"
Rustovich começa a se desemcorporar, transformando-se
em névoa "As opções estão acabando meu caro. Logo o discurso de Hardestadt
estará insuflado pelos Patricios Arpad. Logo os Anarquistas irão perder força e
precisarão de liderança. Logo Tabak, Dragomir e Vikto virão atrás de nós,
querendo que os lidere ou que pereçamos como os senhores deles. Amlas e Fagaras
já estão em contato com eles. As Taras também. Shaagra já foi
contatada. Logo apenas seremos eu, você e o outro Matusalém contra todo o clã.
Você vai querer mesmo resistir ao Clã e tentar
novamente a ideia falida de se unir em um novo Conselho das Cinzas, com Nova,
Marusca e outros peões dos Fundadores, ou pior, se manter acuado nesta
fortaleza até que o Pai Negro se levante?"
Radu
está sozinho. Ele medita fitando a noite. Um morcego enorme passa por sua
cabeça. Não é Rustovitch, Radu tem certeza disso. Mesmo com seu vasto poder de
Presença, o Príncipe exilado percebe que está muito perto de ser devorado pelos
mais velhos, como o Arcanjo Gabriel professa na versão cristã do Livro de Nod.
"Se for para dar meu vitae... Que seja para que eles se
prendam em Laço... Mas eles nunca terão a minha alma!" O próprio Ancião se
surpreende com sua vivacidade. Existe paixão ainda nesse velho cadáver.
"Que venham os novos tempos, que venham as novas seitas. O regente delas
será o mesmo.Eu. Eu!” E uma gargalhada soturna e maléfica transborda de sua
garganta. Uma brisa passa pelo castelo, como se respondesse a gargalhada de
Radu, como se desdenhasse da força do velho ancião.
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