12 de junho de 2015

Mais um Curtinhas de Séries

15 de maio de 2015

NÓS DIZEMOS REVOLUÇÃO Beatriz Preciado

Publicado no caderno “Culture” do jornal Libération de 20 de março de 2013, este artigo de Beatriz Preciado continua atual. Faz pensar nas discussões em torno a partidarismos e apartidarismo nas manifestações que ocorreram no Brasil, o massacre midiático feito sobre os Black Blocs (nosso talvez Occupy brasileiro) e a incapacidade que a mentalidade política centenária tem para compreender as múltiplas revoluções possíveis nos dias atuais.

"NÓS DIZEMOS REVOLUÇÃO
Beatriz Preciado

Parece que os gurus da velha Europa colonial estão ultimamente obstinados a querer explicar aos ativistas dos movimentos Occupy Indignados, aleijado-trans-bicha-intersexual e pospornô, que nós não poderemos fazer a revolução porque nós não temos uma ideologia. Eles dizem “ideologia” como minha mãe dizia “marido”. Ora, nós não precisamos nem de ideologia nem de marido. Nós as novas feministas não precisamos de marido porque não somos mulheres. Da mesma forma que não precisamos de ideologia porque não somos um povo. Nem comunismo nem liberalismo. Nem a ladainha católico-muçulmana-judia. Falamos outra língua. Eles dizem representação. Nós dizemos experimentação. Eles dizem identidade. Nós dizemos multidão. Eles dizem domesticar a periferia. Nós dizemos mestiçar a cidade. Eles dizem dívida. Nós dizemos cooperação sexual e interdependência somática. Eles dizem capital humano. Nós dizemos aliança multi-espécies. Eles dizem carne de cavalo nos nossos pratos. Nós dizemos “montemos nos cavalos para escaparmos juntos do abatedouro global”. Eles dizem poder. Nós dizemos potência. Eles dizem inclusão. Nós dizemos código aberto. Eles dizem homem-mulher, branco-negro, humano-animal, homossexual-heterossexual, Israel-Palestina. Nós dizemos: vocês sabem muito bem que seu aparelho reprodutor na verdades não funciona mais… De quantos Galileus precisaremos desta vez para reaprendermos a nomear as coisas nós mesmos? Eles nos proporcionam a guerra econômica a golpes de facão digital neoliberal. Mas nós não vamos chorar pelo fim do Estado-providência porque o Estado-providência era também o hospital psiquiátrico, o centro de inclusão de deficientes, a prisão, a escola patriarcal-colonial-heterocentrada. É tempo de colocar Foucault na dieta aleijado-queer e escrever a Morte da clínica. É tempo de convidar Marx para um atelier eco-sexual. Nós não vamos encenar o Estado disciplinar contra o mercado neoliberal. Esses dois aí já fizeram um acordo: na nova Europa, o mercado é a única razão governamental, o Estado se torna um braço punitivo cuja única função é a de recriar a ficção da identidade nacional através do medo securitário. Nós não queremos nos definir nem como trabalhadores cognitivos nem como consumidores farmacopornográficos. Não somos Facebook, nem Shell, nem Nestlé, nem Pfizer-Wyeth. Não queremos produzir franceses, tampouco produzir europeus. Não queremos produzir. Somos a rede viva descentralizada. Recusamos uma cidadania definida por nossa força de produção ou nossa força de reprodução. Queremos uma cidadania total definida pela divisão das técnicas, dos fluidos, das sementes, da água, dos saberes… Eles dizem que a nova guerra limpa se fará com drones. Nós queremos fazer amor com os drones. Nossa insurreição é a paz, o afeto total. Eles dizem crise. Nós dizemos revolução."

30 de abril de 2015

Produtores e qualquer coisa

Provocação do dia: A prática e o estudo nessas décadas de artística cênico e profissional de entretenimento e comunicação aprendi que produtores profissionais são pessoas que, entre as mais diversas atribulações, antecipam e/ou resolvem problemas. Antecipam e/ou resolvem. Uma dose ética e educação também sempre é bem-vinda como em qualquer outra profissão. Já pessoas que agem sem no mínimo informar os profissionais com os quais trabalham e portanto criando problemas são qualquer coisa menos produtores.  Nem profissionais nem mesmo amadores. São qualquer coisa. Menos Produtores. É deselegante, inconveniente e fica mal pra eles agirem ignorando seus pares. E não produz nada. Infelizmente existem ainda qualquer coisa achando que está trabalhando com produção do que produtores profissionais ou mesmo amadores. Infelizmente.

18 de dezembro de 2014

O Rei de Ejigbô escolhe Onixegun como seu sucessor e herdeiro ou O Legado de Oguiã

O Rei de Ejigbô escolhe Onixegun como seu sucessor e herdeiro ou O Legado de Oguiã
 
Elejigbô era um rei muito sábio e poderoso.
Reinando seus domínios e aconselhando os reinos vizinhos.



Descobria os mistérios das cabeças feitas por Ajalá atráves dos Buzios  d´Oráculo de Ifá, ajudava as pessoas a caminharem seus Odús, cuidava dos Orís de seus filhos, dos filhos de seus filhos e era reconhecido por todos como ético e bom.


Era chamado então de Babalorixá, mas seu primeiro nome quando ainda era um Príncipe fora Babaossãe, profundo conhecedor do poder curativo e terapêutico das plantas e folhas. 
Quando nascera entretetanto, para o mundo do Culto aos Orixás fora chamado de Ajagunã;
seu nome secreto, entretanto, poucos sabiam de fato.


Era humano, sem duvida, continha falhas, mas eram ínfimas diante do seu saber e do bem que empregava, apenas àqueles com inveja e insegurança em seus corações atentariam apenas a as falhas.


Era como o bambu, podia sempre vergar a qualquer brisa, mas nunca quebrava nem mesmo sobre a mais afiada espada.


Um dia o Rei de Ejigbô recebeu em sua casa um jovem rapaz e o transformou em seu pupilo. Este rapaz já era um tinha o potencial para seu mesmo poder real e sacerdotal e tinha uma longa bagagem anterior de vivência no culto aos ancestrais e a natureza, mas principalmente tinha o mesmo potencial para a ética e bondade de coração do Rei; isso trouxe mais uma vez a discórdia e a cizânia entre aqueles que amavam e disputavam o amor do Elejigbô.


Apesar do Rei se esforçar para manter seu reino coeso, sabia que os sentimentos humanos são por vezes instáveis demais e não podia contar com a paz e harmonia o tempo todo, apenas no Xirê, nas grandes festas e funções conseguia reunir tantas pessoas diferentes, e estas praticas seriam a maior lição que o Rei poderia dar a seus filhos, aqueles que fossem atentos entenderiam seu recado.


Assim, muito sábio e tranquilo, o Rei-que-vestia-branco continuou seus afazeres enquanto que silenciosamente ensinava e mostrava sua sabedoria para o jovem rapaz. O Rei-do-Pilão levou o jovem até o Bambuzal de seu reino e o ensinou muitos segredos, inclusive, seu nome secreto. O rapaz então mais que rapidamente despertou seu potencial com muita atenção e ajudando seus irmãos assim como aqueles que o procuravam, que se tornavam seus filhos e súditos que já o consideravam também um Babalorixá, apesar de sua pouca idade de iniciação pelo Rei.


Um dia o Rei ficou doente, para o choque e desespero de seu reino. 


Enquanto todos ficaram preocupados, o Rei se esforçou para preparar tudo para sua partida para o mundo dos Orixás. Mas nem mesmo seu poder pode lidar com a Morte e sua ida foi prematura.


Elejigbô se transformou num Orixá; Oxaguiã também conhecido como Oguiã . Seu coração, que antes batia em um só corpo, passou a ressonar em todos aqueles que ele tocara e cuidara.


Muito tristes porém com sua partida prematura, a maioria dos súditos mais antigos f partiram, sem dar ouvidos as mensagens de Oguiã pelo Ifá para que o jovem rapaz tornar-se seu sucessor e herdeiro.  Uma rápida conspiração que não queria vê-lo como o novo Elejigbô se formou e nomeou um ainda mais novo e recém-iniciada como Babalaxé no lugar do Rei. A conspiração acreditava que poderia assim  poderiam dar um melhor caminho para o legado de Ejigbô. A conspiração então colocou sua posição de forma tão evidente que  não queriam o jovem rapaz aprendiz do falecido Rei  que não havia outra opção a não ser recusar educada e humildemente a nomeação de Oguiã para seu sucessor. A seguir convenceram o mais novo e agora Babalaxé que ele tinha muitos anos de iniciado, uma "mentira branda" que tentaram espalhar e estender por outros reinos e que ele havia se tornado o próprio Rei morto renascido e preparado para substitui-lo. É do humano tentar mudar uma narrativa, mas é da verdade que ela se mostre, e alguns anos depois, ela voltou... Mas isso é uma outra história. 

Os outros irmão mais velhos se dividiram entre os que não se importaram, os alheios à o que aconteceu, os que ficaram perplexos com a conspiração e os que não estavam presentes durante a anunciação do Babalaxé e, só depois de algum tempo ficaram sabendo que renegaram o jovem rapaz.  Haviam poucos que realmente aceitariam o jovem rapaz comando e sua ascensão como Rei, mas também ficaram todos abismados quando a conspiração instalou a o mais novo no lugar de Elejigbô.


Assim em pouco tempo o reino perdeu seu majestoso poder, sua grandeza e sua força e a maior parte dos filhos do Rei foram embora, intuindo ou percebendo de fato o erro, enquanto os que ficaram se afundam numa longa escaramuça para influenciar a sombra do que antes fora Ejigbô. A obra do antigo Rei fora por vaidade mesquinharia e inconsequencia em grande parte desfeita. E o Axé mesmo fora embora.

 O jovem rapaz, munido do poder, da sabedoria e da observação de Oxaguiã, bem como sua bondade e ética e também do Axé de seu Orixá Ossãe, partiu. Fora para outras terras com o coração triste pela rejeição e omissão de muitos seus próprios irmãos mais velhos.  


Cercado de alguns outros poucos irmãos mais velhos e a alguns mais novos, além de seus próprios filhos e súditos fundou seu próprio Reino e lá foi consagrado o Rei Onixegun sob as bênçãos de Ossãe, Oguiã e de todos os Orixás. Passou a receber conhecimento direto daqueles que no passado ensinaram Elejigbô e passou a ser conhecido como Babalorixá e assim cumprir a seu modo o destino como herdeiro do legado de Oxaguiã.


Hoje todos reconhecem e sabem que Onixegun é um Rei tão poderoso, ético e bondoso quanto fora aquele que o ensinara e que, sempre que quiserem rever Oxaguiã, basta visitarem o Reino das Folhas e lá o encontrarão. Pois é na Casa da Força do Senhor da Cura, o reino do Ilê Axé Onixegun, que Oxaguiã se manifesta, come seu Inhame e dançar o Xirê à tradição Ketu. E assim todos os filhos e filhos dos filhos de Oguiã entenderão por fim a maior mensagem e os ensinamentos que ele poderia passar: Amor, harmonia, tolerância, contentamento e paz.


Onixegun é o Rei. Viva o Rei Onixegun.

SEJEMOS TAMBÉM COMO O BAMBU.

18 de novembro de 2014

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Ta


mbém não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.



17 de novembro de 2014

tomada de consciência


Uma conhecida estava reclamando do "feriado de Zumbi", que cai na véspera do aniversário de sua mãe, coisa que eu sei e vivo, pois a véspera do meu  é o feriado da proclamação da República, geralmente,  todo mundo viaja e minhas últimas tentativas de festas têm sido um total fracasso. A última foi a dois anos atrás, literalmente, não foi ninguém. 

Eu estava sorrindo e considerando o ponto de vista dela quando ela continuou 

" A minha mãe fala ' Que que eu tenho com esse feriado? '" ( Ela abaixa a voz) " Zumbi era preto, viado, Era líder de Palmares que  ...'"

Não aguentei e interrompi com uma certa agressividade na minha voz ".. Que foi a primeira democracia do Brasil..." 

Ela ficou atônita. Continuei agora mais sereno : " Sim, Palmares foi a primeira tentativa de democracia do Brasil, pouca gente sabe, normal.."

" Eu achava que era a coisa lá de escravos"

Interrompo de novo " Sim, era um refúgio de escravizados, mas tinha Branco, tinha Índio, tinha a p**** toda! Zumbi é um símbolo como Tiradentes, que talvez precisamos nos debruçar agora com mais atenção para uma tomada de consciência..." Interrompo antes que eu volte a ficar mais agressivo. Ficamos quase um minuto em silêncio.

Estávamos num ambiente social privilegiado em que dois negros trabalhavam instalando um telhado, enquanto nós treinávamos numa piscina. Olhei para os dois lá em cima, suspirei.

" Realmente você pode ficar indignado com mais um feriado que você acha que não tem nada a ver com você, é uma questão de escolha. Ou você pode tentar por um minuto deste feriado, por que diabos nos empurram isso no calendário.  Acho que se você parar pra pensar nisso, de quanto existe uma separação socio-étnica na nossa sociedade, que ela é velada e encontra muita resistência nos nossos pensamentos imediatos... Bem, ai sim, vai ter valido a pena parar um dia de autômato pra pensar. Ainda dá pra curtir o dia, ver as árvores, tomar um chopp, mergulhar no mar, beijar... E respeitar o ser humano dentro de sua diferença. Essa condição insatisfeita da busca pela felicidade individualista já falhou, a verdadeira busca agora é se colocar no lugar do outro. "

Passam uns minutos, treinamos.  Depois falamos de outros assuntos, amenidades e rimos de nós mesmos no treino. Começo a pensar no lugar que estou , como sou privilegiado, mas ao mesmo tempo, do quanto eu gosto dos meus amigos e conhecidos de lugares e formas diferentes de pensar. Como pessoas que são "pretas e viadas" são importantes e como tenho carinho por elas, como gostaria que elas não sofressem no seu dia a dia esse preconceito velado e resistente. 

Penso no meu ambiente de trabalho e vejo uma supremacia branca quase sem exceções, que apenas confirmam a regra. Lembro que um colega de trabalho criticou da mesma forma "bem humorada" o cabelo black de duas crianças na tevê. Ele não faz a menor ideia do tipo de pensamento que ele está emulando. E se perguntado, dirá que não é uma pessoa preconceituosa. 


Aliás, a questão é essa: Estamos inertes numa sociedade com pensamentos e práticas preconceituosas, repetimos e consagramos as mesmas, sem sequer percebê-las. Talvez essa seja a real importância de nos obrigarmos a parar de agir sem pensar e pensarmos juntos...

4 de novembro de 2014

Recado aos colegas de artes cênicas do Rio



Atores cariocas, meus colegas de ofícios: Não adianta ficar nos testes, emissoras etc. reclamando, pra mudar os "pequenos abusos" é preciso se unir e não ficar esperando que a mudança venha das empresas e empregadores que estão vendo o lado deles. Nem esperar o sindicato, este está mergulhado em burocracia e precisa de parcerias participativas, não mais reclamações de insatifeitos ou omissos.  É preciso apresentar as suas questões coletivamente para políticos eleitos, se unir como os garotos do reclame da cooperativa de sampa, dar um jeito que não só aquela cara de insatisfaçao ou aquele dar de ombros de “não tenho nada com isso...”

É preciso gerar uma corrente de conscientização e união para não sermos mais obrigados a passar por constragimentos e pra termos os mesmos direitos que os nossos vizinhos paulistanos.

Sem esforço a parada não vai.

Ai você pergunta 
" Quem esse chato tá pensando que é ?"
E eu respondo
"O seu colega de trabalho que quer melhorar com você o seu trabalho"  :D

Não gostou? Se ofendeu? Me ignora. Nos faça esse favor.