8 de fevereiro de 2010

Diante de mim estão várias angustias diferentes, tão variadas e pessoais, que se somam e apenas para nos comunicarmos tentamos classificá-las como experiência humana. Elas foram instruídas e educadas de forma diferentes, mas quase sempre visando o mesmo fim. Essa minha platéia diante de mim espera que eu lhes entretenha, que eu alivie suas pendências, que eu exorcize seus demônios. Que eu comunique de forma dada uma mensagem à qual eles possam filiar de forma direta e se reconhecer nessa identificação coletiva. Mas e se eu não me mexer? E se a minha obra não couber em uma moldura regular? Se o que eu quiser não tiver um entendimento lógico que se comunique de forma fácil com o que esperam de mim? Será que eu serei capaz disso? Será que eu conseguirei mergulhar nessa multiplicidade s, sem hierarquias, sem formas nem fórmulas rítmicas? Será que isso também é música? Será que minhas mãos não vão tremer e eu sem pensar vou voltar para o que antes me era direto e quase involuntário no meu processo criativo? É só isso que eu quero, o ineditismo? Ou será que a minha reinvenção como artista é uma fraude? Não sei, só posso saber se experimentar. Só saberei se tentar. Se encarar o que me propus e fizer frente a todas as expectativas, frente a todos os anseios, dúvidas e expectativas, em conjunto, como uma orquestra, minha e da platéia. Se os níveis de significação forem diversos, como poderei explicar o que se processa em mim? Será que é pra explicar? Repito: é pra explicar? E se eu só quiser som e fúria, ruídos aleatórios e respiração infrequente? Se isso pra mim e pra quem se deixar levar for música, talvez mais música do que a música que conhecemos até agora? Será que a mera vivencia do momento o torna arte? Tem distancia entre vida e arte? Ou a distância é dada quando entendemos arte somente como mimese? Porque todos os sons possíveis desse momento não serão musica para quem os ouvir? Mas e se todos entenderem, se eu estiver subjugando a capacidade sensível daqueles que me assistem, então terei falhado? Não, se isso se der, então eles terão entendido, mas terão sentido, e assim, pelo menos uma vez TUDO fará sentido...