Passivo Versus Pacífico
A Parábola da Serpente
Certa vez, os habitantes de uma aldeia indiana foram procurar um sábio yôgi para pedir seus conselhos:
- Mestre, nas imediações de nossas plantações vive uma cobra perigosíssima que a todos ataca indiscriminadamente, matando homens, mulheres, velhos e crianças sem piedade. Todos temos medo de ir ao campo trabalhar. Que devemos fazer ?
O yôgi disse-lhes que voltassem para suas choupanas e que ele iria falar com a serpente. Na manhã seguinte, bem cedo, foi ter com ela. Não precisou procurar muito, porque o ofídio estava sempre por perto do vilarejo. Era uma majestosa naja, de respeitável tamanho. O sábio se aproximou sem temor, sentou-se perto dela e passou-lhe um belo sermão sobre ahimsa, o princípio ético de não agressão. Certo de que sua ouvinte compreendera, levantou-se e partiu. Dali a alguns dias, foi procurado pela serpente:
- Mestre, o senhor me aconselhou a não atacar as pessoas e assim o fiz. Aos poucos os aldeões foram se convencendo que eu não lhes oferecia perigo e passaram a me perseguir e agredir de todas as formas. Vejas como estou toda machucada de pedradas.
Então o yôgi retrucou:
- Minha filha. Aconselhei que não picasses, não proibi que silvasse.
29 de maio de 2002
É impressionante como algumas pessoas gostam de se enganar.Ou pior, conquistam várias coisas, mas não se sentem bem com suas escolhas e méritos. Criam assim uma redoma de sarcasmo e intolerância a tudo o que lhe é diferente, ridiculariza os que tomaram outras decisões com mais segurança e lidam bem com isso.
E ainda pousa de seu amigo brincalhão. De apenas estar te zoando. Sei!
De qualquer forma é evidente que acabam por perder amigos assim. Ontem quase não fui encontra com ele e outros conhecidos pois sabia que poderia passar por isso, mas teve gente que não foi pois deram um basta nessa situação.
O engraçado é que não fui zoado, mas não pude deixar de achar ridículo o “Tudo ótimo, melhor impossível” de resposta a um singelo “tudo bem ?”
A quem essa pessoa quer convencer ? acredito que apenas a ela mesma, porque a mim não consegue convencer.
Hipócrita fui eu de ter ido, mas fazer o que, tinha prometido...
Engraçado também é aquela situação de você encontrar um amigo que namora uma menina quer você tinha uma relação estreitamente sexual. Eu tava tranqüilo, o cara “aparentemente” estava tranqüilo, mas a menina (que deveria ser a única tranqüila) fica com aquela cara séria. Vai entender.
E ainda pousa de seu amigo brincalhão. De apenas estar te zoando. Sei!
De qualquer forma é evidente que acabam por perder amigos assim. Ontem quase não fui encontra com ele e outros conhecidos pois sabia que poderia passar por isso, mas teve gente que não foi pois deram um basta nessa situação.
O engraçado é que não fui zoado, mas não pude deixar de achar ridículo o “Tudo ótimo, melhor impossível” de resposta a um singelo “tudo bem ?”
A quem essa pessoa quer convencer ? acredito que apenas a ela mesma, porque a mim não consegue convencer.
Hipócrita fui eu de ter ido, mas fazer o que, tinha prometido...
Engraçado também é aquela situação de você encontrar um amigo que namora uma menina quer você tinha uma relação estreitamente sexual. Eu tava tranqüilo, o cara “aparentemente” estava tranqüilo, mas a menina (que deveria ser a única tranqüila) fica com aquela cara séria. Vai entender.
27 de maio de 2002
Mercutio - True, I talk of dreams,
Which are the children of a idle brain,
Begot of nothing but fantasy
Which is a thin of substance as the air
And more inconstant than the wind, who
wooes
Even now the frozen bosom of the north,
And, being anger’d, puffs away from thence
Turning his face to the dew-dropping south.
Which are the children of a idle brain,
Begot of nothing but fantasy
Which is a thin of substance as the air
And more inconstant than the wind, who
wooes
Even now the frozen bosom of the north,
And, being anger’d, puffs away from thence
Turning his face to the dew-dropping south.
24 de maio de 2002
Choro muito quando leio isso, de alegria e de emoção de alguém conseguir entender e expressar amor a essa vida miserável.
Coloquei na minha cortiça e vou lê-lo todos os dias.
O ATOR por Plínio Marcos
Por mais que as cruentas e inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro ou cínico o suficiente para ele permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu na sua vida.
Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingi-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição a que por desencanto ou medo se sujeita, e inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação.
Os atores têm esse dom. Eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos onde não existem defesas. Os atores, eles, e não os diretores e autores, têm esse dom. Por isso o artista do teatro é o ator.
O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor de teatro é bom na medida em que escreve peças que dão margem a grandes interpretações dos atores. Mas o ator tem que se conscientizar de que é um cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. O ator tem que saber que, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios. É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor da personalidade de suas personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que ser humano não tem instintos e sensibilidade padronizados, como os hipócritas com seus códigos de ética pretendem.
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajante solitário, sem a bússola da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator, que se empresta inteiro para expor para a platéia os aleijões da alma humana, com a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor. Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter – não é o dinheiro, não são os aplausos – é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza. Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica.
Coloquei na minha cortiça e vou lê-lo todos os dias.
O ATOR por Plínio Marcos
Por mais que as cruentas e inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro ou cínico o suficiente para ele permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu na sua vida.
Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingi-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição a que por desencanto ou medo se sujeita, e inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação.
Os atores têm esse dom. Eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos onde não existem defesas. Os atores, eles, e não os diretores e autores, têm esse dom. Por isso o artista do teatro é o ator.
O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor de teatro é bom na medida em que escreve peças que dão margem a grandes interpretações dos atores. Mas o ator tem que se conscientizar de que é um cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. O ator tem que saber que, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios. É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor da personalidade de suas personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que ser humano não tem instintos e sensibilidade padronizados, como os hipócritas com seus códigos de ética pretendem.
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajante solitário, sem a bússola da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator, que se empresta inteiro para expor para a platéia os aleijões da alma humana, com a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor. Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter – não é o dinheiro, não são os aplausos – é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza. Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica.
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